sexta-feira, 19 de novembro de 2010

COMO DIZIAM MEUS PAIS, COMA MAIS VEGETAIS

E outro dia, estava eu conversando com uma amiga minha através da Internet. Fazia muito tempo que não a via, na verdade, mais de 10 anos. Ela é médica veterinária e possui uma “clínica” de banho e tosa. Coincidentemente, por aqueles dias, uma turma de amigos meus e eu estávamos combinados de fazer um churrasco no sítio de um deles, e resolvi convidar esta amiga minha. Nossa, nunca imaginei uma reação daquela. Por umas 2 horas (ou mais) ela me explicou vários conceitos do vegetarianismo, me acusou de maltratar animais, de comer cadáveres.

Puta que a pariu, eu convido alguém pra se divertir, comer uma picanhazinha, tomar umas cervejas, ouvir umas modas de viola... e me toca “ouvir” um baita sermão de horas! Tudo bem, cada um tem seus conceitos e suas idéias, cada um tem a liberdade de defender seu ponto de vista. Mas achei muito exagerado, mais uma vez alguém que se julga politicamente correto querendo dar lição de moral no “politicamente incorreto”.

Tudo bem vai. Aliás, estava tudo bem até eu questionar sobre a profissão dela. Porque ela disse que eu como cadáver e que maltrato animais (ou ao menos compactuo com o sofrimento deles), então questionei se na faculdade ela não estudou essas coisas de produção animal. Oras, eu não estudei pra isso, mas minha família veio da roça, eu sei como se faz, e pra mim não tem nada disso! Ela que estudou isso deveria saber. Tudo bem, o animal morto é um cadáver. Mas isso é palavra de impacto, pra causar uma comoção nas pessoas. Vai se foder, meu. Então não vou mais comer a alface porque entra bosta dentro dela junto com a água que ela absorve da terra. Enfim, depois desse meu questionamento, além de ela não me responder, fazem mais de 2 anos que ela me bloqueou no emiéssiene. Quer saber, ela que se foda com as verduras dela.

Aí tudo bem, tudo jóia. Outro dia estava assistindo um filme com a minha namorada no sofá da sala do apartamento dela. Acho que era do Batman... enfim, aí entrou o comercial e ela veio com um papo meio esquisito. Falou que tinha visto no Iultóba que lá na Coréia o povo come carne de cachorro. Que lá é uma iguaria muito apreciada da culinária asiática. E me perguntou o que eu achava. Como eu sou um cara meio rústico respondi “ema ema ema, cada um com seus pobrema”. Depois completei, disse que essas coisas são difíceis de julgar, é cultural. E que como aqui se come jacaré, javali, avestruz, perninha de rã, eu não vejo nenhum problema nos caras comerem cachorro. É tudo animal mesmo.

Depois daquele silêncio mortal por alguns minutos ela disse “oras, o ser humano também é um animal, então pra você também não tem problema”. Aí eu senti que ela estava querendo começar a apelar comigo. Alguém devia ter falado aquelas historinhas de comer cadáver, maltratar os bichinhos e blá blá blá... Depois dessa eu também resolvi apelar pra ignorância. Falei “olha, se você quer virar vegetariana fala logo, não fica aí com essas conversas, querendo me fazer sentir culpado. Minha picanha não tem nada a ver com comer seres humanos, nem com comer a porcaria do seu Pequinês”.

Porra, quer falar dos benefícios de não comer carne? Quer falar dos problemas com a criação e o abate de animais? Pode falar, de boa, mas não tente me fazer parecer culpado de um crime que eu não cometi. Consumo de carne não é consumo de droga ilícita. Apesar que nossos valores andam mudados ultimamente. Hoje se fala tanto na legalização da maconha, que não duvido que legalizem os entorpecentes “naturebas” e proíbam o “massacre” dos animais para consumo. E quer saber, consumo carne vermelha desde criança. É isso aí, hoje eu tenho dependências química, física e psicológica da carne. Vai aparecer um vídeo da minha mãe fazendo aviãozinho com uma colher de carne pra mim quando eu era nenê, no Fantástico, e todo mundo vai ficar horrorizado. Mas é isso mesmo, não consigo largar. Nunca tentei, mas em “épocas de vacas magras”, quando tinha que passar uns dias sem comer carne, eu tinha crises de abstinência. Sonhava com uma ripa de costela na brasa e acordava porque mordia forte a língua pra sentir o sabor de uma carninha. Até hoje, quando vou no supermercado e to sem grana pra comprar uma carne, eu fico lá na parte do frigorífico só apreciando aquelas belezinhas. Pego aqueles bifes de contrafilé e fico analisando aquelas gordurinhas, o formato das fibras, os pedaços com menos nervos. Sabe quando o apaixonado por carros vai ao salão do automóvel, e fica analisando aquelas ferraris, bmws? O cara sabe que nunca vai ter um daquele, mas é gostoso mesmo assim ficar olhando, passando a mão. É mais ou menos isso, só que mais dia ou menos dia aquele pedação de carne vermelha vai parar no espeto da minha churrasqueira, um sonho realizado.

Então não tem jeito... podem tentar fazer a minha namorada engolir essa. Pode colar pra quem achava que o leite brotava na caixinha quando era criança, quem achava que a salsicha do cachorro quente era feita do mesmo jeito dos biscoitos, ou o Méquidonaldis era tudo feito sem assassinar os pobres animais indefesos.

Mas aqui não cola, meu avô era pequeno agricultor no interior de São Paulo. Morava num sítiozinho de 7 hectares. Dali ele tirou grana pro meu pai estudar. E ali a gente ia desde cedo, via o Tio Zequinha sangrar a leitoa, matar a novilha, degolar os frangos. Depois vinha a festança da família. Não conheci até hoje alguém que vive nesse meio e que conhece de verdade, conhece mesmo o sistema de criação de animais para abate, que fique aterrorizado com isso, que se sinta um ser desprezível por um dia ter ingerido um cadáver de vaca. Geralmente quem vem com essas conversas pra cima de mim é quem achava que o leite vinha da caixinha.

VOU ME APRESENTAR, MAS NÃO VOU ACENDER AGORA

Bom, quando eu fazia o cursinho pré-vestibular, a professora de redação pegava muito no pé pra gente nunca começar um texto desta forma, com a palavra “Bom” seguida de vírgula. Por muito tempo evitei fazer isso, e consegui crescer na vida, fiz uma boa faculdade, me tornei um bom profissional. Contudo, devem existir muitas pessoas que me compreenderão, tudo isso é muito frustrante. Você se torna velho e se vê obrigado a deixar um pouco aquela irreverência adolescente bem escondida por detrás de uma máscara de profissional conceituado. Vai se foder! Por isso que eu comecei esse texto dessa forma. Aqui eu quero que se foda essa máscara de profissional sério e conceituado. E foda-se também aquela professora filha da puta.

Pois bem, vamos começar do começo. Eu não sou o Seu Bosso de verdade. Ohhhhh! Puta que pariu, o cara criou um “fake”... Ohhhhh! Esse cara é um covarde, não tem coragem de mostrar a cara. E se você pensou isso, foda-se você também.

Vamos fazer que nem o velho Jéque Estripador, vamos por partes. Quem era o Seu Bosso. O Seu Bosso foi meu professor de matemática por alguns anos, durante o primeiro e segundo grau. É, sou das antigas, esse negócio de ensino fundamental e ensino médio é coisa de criancinha café com leite. O Seu Bosso, apesar de lecionar a matéria mais lazarenta da escola, era uma pessoa que conseguia mostrar grande autoridade, sem perder a irreverência e sem deixar de ser um puta cara gente fina. Quando pegava a gente colando na prova ele passava um sermão de uns 15 minutos... e se repetia umas 4 ou 5 vezes. E ele era muito caricato, apesar de tanto tempo as expressões faciais dele estão até hoje em minha mente, parece que ele está na minha frente passando o sermão. E sempre que eu lembro eu dou muita risada. Além disso, o nome dele é gozado pra caralho! “Seu Bosso”... puta merda, eu dou risada só de lembrar esse nome. Resolvi então ser o New Seu Bosso. Não pedi pra ele... aliás, nem sei se ele ainda vive entre nós.

Quanto a mim, bem, sou um cara do sexo masculino, 30 anos já vividos e completos. Curto muito música, de tudo, mas principalmente uns roques. Curto filme, curto churrasco, curto cerveja, curto mulher, curto futebol, sou um típico seguidor do Homer Simpson’s lifestyle. Apesar de idolatrar as mulheres como seres superiores, afinal, coisa tão bela não deve ser do mesmo patamar desse negócio escroto que são os homens, aliás, não sei nem como que elas conseguem gostar destes seres asquerosos que somos nós, homens... enfim, apesar de idolatrar as mulheres, há muito tempo só tenho uma e sim, sou fiel a ela. Estudei a vida toda em escola pública, fiz um ano de cursinho pré-vestibular, passei numa universidade estadual, estudei que nem um filho da puta, bebi que nem um filho da puta, festei que nem um filho da puta, me fodi pra caralho como estagiário, paguei pra trabalhar, comprei um carro velho, e hoje eu tenho um emprego estável numa empresa forte no seu ramo. Com tudo isso, como disse anteriormente, a pessoa acaba se vendo obrigada a ver bem o que faz. Porra, se o meu chefe ler uma merda de um texto desse e souber que sou eu, eu to fudido! Então foda-se, agora eu sou o Seu Bosso e foda-se qualquer julgamento a respeito disso. Aliás, eu acho que ninguém nem vai ler essas merdas desses textos mesmo, mas por via das dúvidas né... vaaaai que por uma cagada esta merda vira febre nacional hahahaha... afinal, já tem tanta merda fazendo sucesso mesmo, um a mais ou um a menos não ia mudar muita coisa. Mas se acontecer, eu quero grana. Outro dia vi algumas pessoas crucificando o João Gordo, dos Ratos de Porão, por ser hipócrita e ter ido trabalhar na rede de televisão da IURD. Ah véio, só quem já sofreu por falta de grana é que sabe como é que é... que se foda tudo. Muito bonito o bacana ali do condomínio fechado vir falar que dinheiro não quer dizer nada, o que vale é a integridade moral. Que se foda... se a Chucha me chamasse pra ser paquito naquela bosta de programa dela eu ia e que se foda. Botava até aquele chapeuzinho idiota por grana.

Mas voltando um pouco o assunto. Outro dia eu estava tomando umas cervejas com uns amigos, e, pra variar, falando abobrinha. E é muito gostoso isso. Foi então que um amigo meu me disse “cara, a gente tinha que escrever um livro com essas bostas que a gente fala”. Aí eu dei uma pesquisada, de leve porque dá uma preguiça fudida de ficar pesquisando, sobre esse lance de livro. Meu, maior função, achei que não rolava. Aí como eu acompanho alguns “brógues”, tive essa imbecil idéia de fazer isso aqui. E é isso, sei lá o que eu vou postar aqui, e foda-se também. O dia que eu achar que dá pra postar alguma coisa eu posto, independente do que seja. O foda é que se alguém que me conhece ler o que eu escrevo, com certeza vai sacar que sou eu. Mas que se foda.


Será que se eu quiser, eu consigo editar esse texto depois? Ah! Mas que se foda também.